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Sobre as Estratégias da Indústria do Tabaco

Por  4 de novembro de 2016

O nome do volante Verratti foi alvo de polêmica. Uma foto que circula por vários sites na Europa mostra o jogador do PSG fumando um cigarro.

Conheça um pouco mais sobre as Estratégias da Indústria do Tabaco

Trechos de memorandos de uma Companhia de Tabaco:

(1975): “Para assegurar crescimento contínuo e de longo prazo para a “marca do cigarro”, precisamos aumentar sua penetração na faixa etária entre 14 e 24 anos, que possui um novo conjunto de valores mais liberais e que representa o negócio de cigarros amanhã.”

(1976): “Novas evidências disponíveis indicam que o grupo de idade entre 14 e 18 anos é um segmento crescente da população de fumantes e a Companhia precisa estabelecer logo uma nova marca de sucesso nesse mercado para manter a posição no setor no longo prazo.”

A indústria precisa recrutar jovens fumantes para substituir os milhares de consumidores que morrem todos os dias. Veja o vídeo abaixo, produzido pela Departamento de Saúde da Califórnia:

Uma das estratégias adotadas pela Indústria do Tabaco é o lançamento de cigarros com sabores e aromas diversos. Veja a campanha da Flórida para alertar sobre o risco dos cigarros com sabores e aromas:

Ouçam essa matéria  sobre o que está acontecendo sobre esse tema no Brasil: CCJ deve analisar a proibição de venda de cigarros com aromas e sabores artificiais

A fala de Luiz Carlos Heinze tenta manipular a opinião pública. A realidade das famílias que plantam fumo é bastante diferente da que relata o deputado, conforme mostra o documentário “Fumando Espero”, da diretora e produtora Adriana Dutra (veja abaixo):

Por que os jovens começam a fumar?

Os jovens (publico alvo da Indústria), começam a fumar, na verdade, porque as companhias de tabaco querem.

Alguém está gastando uma fortuna por dia e de uma maneira bastante sofisticada, para persuadir os jovens a fumar. Aproximadamente, de 30% a 50% das pessoas que experimentam cigarros ficarão viciadas.

A indústria estimula os jovens a fumar e eles acham que –  ao fumar – parecerem mais velhos, que estão desafiando a autoridade, que são autônomos e independentes; mas, a ironia é que eles não estão realmente se rebelando. Estão, na verdade, agindo como marionetes, com seus movimentos controlados pela Indústria do Tabaco e eles continuam a fumar porque isso vicia.

Marionete da Indústria do Tabaco

Além de o marketing e a publicidade dos cigarros fornecerem pressão constante sobre os adolescentes para fumar, as Companhias gastam muitos milhões em pressão e doações políticas na esperança de persuadir políticos a tornarem as campanhas contra o tabagismo o mais insignificante possível (por exemplo com a escolha de temas ineficazes: falar sobre o vício, sobre os efeitos para a saúde e sobre os custos sociais relacionados com o uso de produtos de tabaco – a abordagem desses temas é fracasso comprovado).

O que assusta a Indústria do tabaco são as mensagens que fazem os jovens se sentirem legais ao se voltarem contra as Companhias de Cigarro (Exemplos: Rage Against the Haze, SWAT e, no Brasil a Aliança de Controle do Tabagismo).

Além das campanhas, é importante que existam locais para o acolhimento das pessoas que, de posse de informação, decidam receber suporte adequado para modificação de hábitos nocivos.

Veja o que o médico Drauzio Varella falou sobre esse assunto no Programa Roda Viva:

No dia 01 de fevereiro de 2018, quinta feira, o STF do Brasil volta do recesso e já na primeira sessão, marcada para as 14h, está previsto o julgamento que decidirá se a Agência Nacional de Vigilancia Sanitária (ANVISA) pode proibir a adição de sabor e aroma em cigarros.

O julgamento, iniciado em novembro, girou em torno de uma ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) contra a resolução da Anvisa. No centro do debate, estava a discussão sobre os limites de atuação de agências.

Após a sessão, o STF manteve  da Anvisa que proíbe aditivos de sabor e aroma em cigarros (por não haver os seis votos necessários para derrubar a norma – mínimo de votos exigido na legislação para declarar a inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo do poder público).

No entanto, a indústria tabagista pode buscar apoio em instâncias inferiores, uma vez que a decisão não tem caráter vinculante.

O tema dividiu o plenário da Corte, com cinco ministros se posicionando a favor da resolução e outros cinco, contra.

O ministro Luís Roberto Barroso se declarou impedido e não votou.

Para a relatora do caso, ministra Rosa Weber, a Anvisa atuou “em conformidade com os limites constitucionais e legais das suas prerrogativas”. “A competência da Anvisa para regulamentar produtos que envolvem riscos à saúde necessariamente inclui a competência para definir por meio de critérios técnicos os ingredientes que podem ou não ser utilizados na fabricação de tais produtos… A nicotina por si só justifica a existência de todo o rígido aparato regulatório incidente sobre produtos derivados do tabaco, cuja instrumentalização se mostra não só legítima, como a meu juízo necessária. As restrições da diretoria colegiada estão devidamente amparadas no ordenamento vigente.”

Além de Rosa, se posicionaram a favor da resolução da Anvisa os ministros Edson Fachin, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello e a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia. “A Anvisa não fez isso a seu bel-prazer, ela se baseou em estudos internacionais que hoje são públicos. Crianças e adolescentes são particularmente estimulados a utilizar o cigarro a partir desses aditivos”, argumentou Lewandowski, ao destacar que o assunto trata de um problema de saúde pública.

Contra a resolução da Anvisa votaram os ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello.

O ministro Gilmar Mendes, por sua vez, defendeu a liberdade de opção dos consumidores. “São escolhas que as pessoas fazem no âmbito da chamada autodeterminação. Do contrário, o mundo fica muito sem graça. Não pode andar no mato, correr de automóvel, não pode fazer alpinismo. Não é ser Supernanny (programa de televisão em que uma babá disciplina crianças), é respeitar a liberdade das pessoas de escolha, provendo informações para que as pessoas façam as escolhas. Morrer todos vamos morrer”, afirmou Gilmar.

1 Comentário

  • Aceitação social é um dos principais motivos que levam os jovens a experimentarem o cigarro. Tornam-se aceitos e pertencentes ao grupo a medida que agem como todos.
    Falar do assunto apontando para o futuro com conseqüências não encontra escuta nos jovens que vivem o presente sem preocupação com o amanhã.
    Portanto a melhor maneira de conscientizá-los dos malefícios do fumo é a educação para fortalecimento da autonomia, autoestima e de compromisso com as escolhas individuais.

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