Recebi, há algumas semanas, um convite do amigo Esteve Calzada – fundador e CEO da Prime Time Sport – para participar (no dia 14 de setembro de 2017, às 19h) do evento em comemoração ao 10o aniversário de sua empresa, o qual ocorreria no IESE (Barcelona) e contaria com a participação especial de Ferran Soriano, do Manchester City.
No dia 14, saí de casa e fui para a estação “Puerta de Atocha”. Dali, pegaria o trem, às 08:20, com destino a Barcelona.
Cheguei na estação de Sants, às 11:05 e daí fui visitar o meu amigo Jaime Fortuno Vidal no escritório de sua empresa – a MBP. Conheci o Jaime no Brasil, quando ele e parte de sua equipe estavam desbravando o nosso país com o objetivo de conhecer potenciais clientes e transmitir o seu “know-how” sobre futebol aos clubes, treinadores e jogadores brasileiros. Como resultado da sua visita, tornei-me cliente da MBP e grande amigo do Jaime.
Aproveitei também a minha ida a Barcelona para conhecer o Oliver Seitz, do Instituto Johan Cruyff. Marquei com ele no escritório da MBP pois queria – além de conhecê-lo, apresentá-lo ao Jaime.
Conversamos todos no escritório da MBP e fomos almoçar, o Oliver e eu. Depois do almoço o Oliver foi para o Instituto Johan Cruyff e eu descansar um pouco antes do evento (marcamos de nos encontrar – Oliver e eu – às 18:30 para irmos juntos ao evento do 10o aniversário da Prime Time Sport).
Chegamos na IESE por volta das 18:45. Fizemos o registro na entrada e nos dirigimos para o auditório principal.
Esteve Calzada fez uma apresentação inicial – curta e muito interessante.
Começou falando sobre como era o futebol europeu até o ano de 2010:
A maioria dos clubes eram geridos por profissionais inexperientes (gestão “heart-driven”), havia tendência a se gastar mais do que se ganhava (em 2010, a dívida dos clubes europeus era de 7,6 bilhões de euros líquidos), ocorria apoio financeiro dos governos quando necessário, havia acesso fácil a empréstimos bancários, quase não existia controle dos órgãos regulatórios sobre os clubes, corrupção e falta de transparência eram comuns.
Esteve expôs, então, os seis princípios que transformaram a Indústria do Futebol Europeu: REGULAMENTAÇÃO, CONTROLE ESTRITO, APLICAÇÃO DE PENALIZAÇÕES, DEMOCRACIA E TRANSPARÊNCIA.
Sobre a regulamentação (faz uma seleção das regras mais relevantes implementadas por instituições ligadas ao futebol) e falou, brevemente, sobre o Fair Play Financeiro (UEFA), o licenciamento de clubes (UEFA), a avaliação de proprietários e diretores (Premier League), a venda centralizada dos direitos de transmissão (La Liga), o mecanismo de controle financeiro (La Liga) e o rebaixamento dos clubes quando, ao final da temporada, há atraso no pagamento dos salários dos jogadores (La Liga).
Esteve Calzada apresenta notícias veiculadas por importantes meios de comunicação ao falar do controle estrito e da aplicação de penalizações:
- GOAL: “Paris Saint-Germain have been penalized for breaches of UEFA’s Financial Fair Play (FFP) rules, it was announced on Friday” (Paris Saint-Germain foi penalizado por quebrar as regras do Fair Play financeiro)
- FINANCIAL TIMES: “Red flags were raised over Reading FC’s Chinese suitors – Premier League probed Dai family’s finance during bid for Hull City” (Alerta vermelho sobre os pretendentes chineses do Reading FC – a Premier League pesquisou as finanças da família Dai durante a oferta pela Hull City).
- MAIL ONLINE: “Elche relegated from La Liga over unpaid tax debts as minnows Eibar earn reprieve” (Elche rebaixado da La Liga por dívidas fiscais, Eibar premiado)
- MARCA: “Debt-ridden Murcia relegated, Mirandés to take their place”. (Murcia rebaixado por dívidas, Mirandés deve assumir o seu lugar)
Continua a apresentação com a democracia e a transparência:
Sobre a venda centralizada dos direitos de transmissão, indica o acordo com Real Madri e Barcelona, que aceitam o novo ajuste de redistribuição. Na temporada de 2014/2015, o clube que embolsava mais recebia 11 vezes o valor pago ao clube que menos recebia. Na temporada 2016/2017, essa razão passou a ser de 4 vezes.
Em 2013, La Liga implementa uma nova regra pela qual os clubes de futebol devem publicar detalhes sobre suas finanças e gestão.
Já a Premier League começa a publicar os valores de comissão pagos aos intermediários por cada clube de futebol: o clube que mais pagou foi o Manchester City (26,3 milhões de libras) e o que menos pagou foi o Hull City (1,9 milhões de libras).
Finaliza os princípios que transformaram a indústria do futebol europeu com a proteção, mais especificamente com o mecanismo para proteger os clubes de futebol dos impactos financeiros do rebaixamento – o chamado “relegation parachute payments”.
Na Premier League os clubes rebaixados recebem, além das verbas adicionais, 24 milhões de libras no primeiro ano do rebaixamento, 19milhões de libras no segundo ano, 10 milhões de libras no terceiro ano e 10 milhões de libras no quarto ano. Na Espanha também se pratica o “relegation parachute payments”.
Comentário Luiz Rocha:
“Atletas que assinam contratos com clubes espanhóis devem ter cuidado adicional – muitos clubes reduzem, automática e drasticamente, o salário dos atletas no caso de rebaixamento. Intermediários preocupados em fazer um negócio podem, propositalmente, não alertar os seus atletas dessa redução salarial. Em um caso recente um atleta teve seu salário reduzido em 75% depois do rebaixamento do clube ao qual estava vinculado”.
Esteve Calzada agradece aos presentes e passa o bastão para o Ferran Soriano.
“Simplesmente brilhante” o que veríamos e escutaríamos a seguir.
Oportuno relembrar agora o tema do evento: “Sobre a transformação da Indústria do Futebol nos últimos dez anos”
Ferran convida os presentes a uma viagem no tempo!
Começa sua apresentação com um vídeo, no qual compilou momentos distintos do ano de 2007 e recorda-nos de um mundo no qual vivemos, mas do qual já não nos lembrávamos mais.
Não tenho o vídeo. No entanto, recebi – logo após e coincidentemente – uma imagem que reproduz a mensagem que nos passou Ferran:
Falou sobre a base de fãs – números absolutos no mundo – da Premier League: #1 China, com 174 milhões de fãs, e… #9 o Reino Unido, com 18 milhões de fãs, e sobre o grande desafio de alcançá-los.
Mostrou os valores gastos – por liga – comparando as temporadas… Que loucura! O investimento chinês – no futebol – cresceu 85.468% em 10 anos (veja a tabela abaixo)
Apresentou a receita da Premier League com a comercialização dos direitos de transmissão.
No acordo de 2004/2007 houve receita de 0,5 bilhão de libras (78% proveniente do mercado doméstico e 22% do mercado Internacional). O acordo 2016/2019 prevê receitas de 2,9 bilhões (62% proveniente do mercado doméstico e 38% do mercado Internacional).
Explicou como são divididos esses recursos entre os clubes e conta uma pequena história.
“50% da receita é dividida de forma igualitária entre os clubes, 25% da receita de acordo com os resultados esportivos e 25% pela popularidade do clube de futebol (mensurado pela efetiva transmissão dos jogos)”.
No início, os clubes ingleses estabeleceram a divisão da receita e “não se importaram” com a forma pela qual dividiriam os ingressos provenientes da comercialização dos direitos de transmissão referentes ao mercado internacional. Neste caso, a divisão é igualitária entre todos os clubes. Ocorre que o mercado internacional vem ganhando importância a cada ano, e agora estão tentando rever esse acordo (atualmente corresponde a 40% da receita com os direitos de comercialização).
Ferran é categórico ao dizer que os eventos esportivos são os únicos pelos quais as pessoas estão dispostas a pagar para assistir ao vivo.
Ele contou que, em uma de suas viagens aos Estados Unidos, participou de um jantar com importantes executivos: um da Netflix, um da Disney, um da Amazon… o debate entre eles foi extremamente interessante – teremos “players” poderosíssimos concorrendo pelos direitos de transmissão de eventos esportivos, o que sugere crescimento do faturamento com a comercialização dos direitos de transmissão.
Atualização:
A Amazon fechou acordo com o atual líder da Premier League, o Manchester City, e produzirá um documentário seguindo a vida da equipe e de Pep Guardiola, na temporada 2017/2018.
“Estamos muito satisfeitos por começar este relacionamento estratégico com a Amazon. Amazon Prime Vídeo é a casa perfeita para um projeto inovador que oferecerá uma visão única e autêntica da temporada do Manchester City. Este é um momento extremamente emocionante para o Manchester City e, dessa forma, poderemos compartilhá-lo com fãs de futebol de todo o mundo”, disse Ferran Soriano, CEO do Man City.
O acordo se baseia nos primeiros esforços da Amazon para trazer conteúdo esportivo exclusivo para sua plataforma, depois de conquistar direitos globais de transmissão da ATP World Tour e do cobiçado “Thursday Night Football”.
Há rumores de que a Amazon brigará com a Sky plc e BT Group plc pelos direitos de transmissão da Premier League, em um leilão no próximo ano. A participação de gigantes da web, incluindo a Amazon e a Netflix Inc., pode incrementar, ainda mais, os valores auferidos nos últimos anos, quando Sky e BT pagaram, juntas, 5,14 bilhões de libras por três anos de direitos de transmissão da Premier League no Reino Unido.
Sobre o crescimento das redes sociais, Ferran expõe números interessantíssimos: em 2007, o Facebook tinha 50 milhões de usuários, o Twitter entre 50 e 150 mil e o YouTube, 64 milhões. O Instagram e o Snapchat não existiam e o Manchester City não tinha redes sociais.
Dez anos depois, em 2017… o Facebook tem 2 bilhões de usuários, o Twitter 328 milhões, o YouTube 1,5 bilhão, o Instagram 700 milhões, o Snapchat 255 milhões e o Manchester City, marca presença nas redes com 36 milhões de pessoas.
Termina este tema com indagações para 2027… em quais redes sociais devemos focar? Com que tipo de conteúdo devemos produzir para maior engajamento dos usuários? Como ativamos e ganhamos dinheiro com os nossos usuários?
Prossegue com a apresentação e mostra o valor dos “top 10 clubes” europeus em 2007 e a evolução deste valor ao longo dos anos: 2007 (4,7 bilhões de euros); 2009 (6,6 bilhões de euros); 2011 (6,9 bilhões de euros); 2011 (11,1 bilhões de euros); 2015 (16,8 bilhões de euros) e 2016 (21,5 bilhões de euros).
O faturamento das ligas europeias mais importantes também cresceu muito ao longo dos últimos 10 anos. A Premier League manteve-se na liderança (aumentou o seu faturamento de pouco mais de 2 bilhões de euros para quase 5 bilhões de euros). A Bundesliga faturava, em 2007, pouco mais de 1 bilhão de euros (quase o mesmo valor da La Liga). No entanto, ao longo da última década, a Bundesliga apresentou crescimento superior ao da La Liga, faturando pouco mais de 2 bilhões de euros (contra pouco menos de 2 bilhões de euros da La Liga). A Serie A Italiana e a Ligue 1 Francesa faturavam em torno de 1 bilhão de euros em 2007 (ambas tiveram crescimento pequeno ao longo dos anos).
Continuamos a nossa viagem com os maiores clubes do mundo por faturamento em 2007:
1. Real Madrid – 351 milhões de euros
2. Manchester United – 315 milhões de libras
3. FC Barcelona – 290 milhões de euros
4. Chelsea FC – 283 milhões de libras
5. Arsenal – 264 milhões de libras
6. AC Milan – 227 milhões de euros
7. Bayern Munich – 223 milhões de euros
8. Liverpool FC – 199 milhões de libras
9. Internazionale – 195 milhões de euros
10. FC Roma – 158 milhões de euros
Já em 2016, o faturamento foi assim:
1. Manchester United – 689 milhões de libras
2. FC Barcelona – 620 milhões de euros
3. Real Madrid – 620 milhões de euros
4. Bayern Munich – 592 milhões de euros
5. Manchester City FC – 223 milhões de libras
6. Paris Saint-Germain – 521 milhões de euros
7. Arsenal FC – 468 milhões de libras
8. Chelsea FC – 447 milhões de libras
9. Liverpool FC – 404 milhões de libras
10. Juventus – 341 milhões de euros
Sobre os vencedores das ligas domésticas nas últimas 11 temporadas, na Europa.
Premier League: Manchester United 5x, Chelsea 3x, Manchester City 2x e Leicester City 1x;
La Liga: Barcelona 6x, Real Madrid 4x e Atlético de Madri 1x
Bundesliga: Bayern Munich 7x, Borussia Dortmund 2x, VfB Stuttgart 1x e Wolfsburg 1x
Serie A: Juventus 6x, Internazionale 4x e A.C. Milan 1x
Ligue 1: Paris Saint-Germain 4x, Olympique Lion 2x, Five clubs (1x)
Sobre os talentos do futebol:
De 1999 a 2007, tivemos 9 vencedores do prêmio Bola de Ouro, da UEFA: Rivaldo (1999), Luís Figo (2000), Owen (2001), Ronaldo Nazário (2002), Nedved (2003), Shevchenko (2004), Ronaldinho Gaúcho (2005), Canavarro (2006) e Kaká (2007).
De 2008 a 2016, tivemos apenas dois: Messi ou Cristiano Ronaldo
Quem serão os vencedores nos próximos 10 anos?
Em 2007, os desportistas mais bem remunerados eram: Tiger Woods (100 milhões de euros), Oscar De La Hoya (43 milhões de euros), Phil Mickelson (42 milhões de euros), Kimi Raikkonen (40 milhões de euros) e Michael Schumacher, como consultor da Ferrari (36 milhões de euros) – nenhum jogador de futebol figurava dessa lista.
Em 2016, Cristiano Ronaldo ocupava o topo dessa lista com 88 milhões de euros, seguido por Messi (81 milhões de euros), LeBron James (77 milhões de euros), Roger Federer (68 milhões de euros) e Kevin Durant (56 milhões de euros).
Sobre as transferências mais caras de jogadores de futebol desde 1999, em euros:
1999 – 32 milhões
2000 – 37 milhões
2001 – 47 milhões
2002 – 30 milhões
2003 – 25 milhões
2004 – 26 milhões
2005 – 24 milhões
2006 – 31 milhões
2007 – 26 milhões
2008 – 33 milhões
2009 – 80 milhões
2010 – 34 milhões
2011 – 50 milhões
2012 – 33 milhões
2013 – 86 milhões
2014 – 75 milhões
2015 – 55 milhões
2016 – 89 milhões
2017 – 198 milhões
Ferran termina a sua grande apresentação mostrando a mega estrutura do Manchester City no mundo…






