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“TODO MUNDO TEM SEU PREÇO”

Por  8 de fevereiro de 2024

Foi dessa forma que o presidente do clube de futebol, filho de um agente renomado, encerrou a conversa.

Ele havia ligado para o pai de um jovem atleta, apontado como um dos futuros grandes nomes do esporte, tentando convencê-lo a romper o vínculo comigo.

Como representante do atleta, tenho sido testemunha de uma série de abordagens quase inacreditáveis. Agentes, com as mais variadas promessas e incentivos financeiros, têm feito contato constante com o pai do atleta, na tentativa de desviá-lo do caminho que traçamos juntos. A cada nova ligação, o mesmo ritual: o pai ouve atentamente e, em seguida, me relata o ocorrido.

Em um contexto em que a segurança jurídica é limitada e até os tribunais estão influenciados pelos poderosos do mundo do futebol, dependo primordialmente da integridade das pessoas com as quais escolho me relacionar.

Essa realidade nos leva a uma reflexão mais profunda: Vivemos em uma era onde a ética e a moral parecem estar em segundo plano. A pergunta que surge é perturbadora: será mesmo que todo mundo tem seu preço?

Para este jovem atleta e sua família, a resposta foi um enfático “não”. Eles exibiram integridade, resistindo a diversas tentações. Essa narrativa serve como um forte lembrete de que, mesmo diante de pressões e propostas atraentes, ainda há quem priorize valores e princípios acima de qualquer quantia.

Este comportamento vai contra a corrente predominante no mundo do esporte, especialmente no futebol. Observar a postura firme dessa família em meio a um mar de propostas questionáveis é um sopro de esperança. Eles representam o que há de melhor nas pessoas e, acima de tudo, a manutenção da própria integridade.

Ao compartilhar esta experiência, espero incitar uma reflexão mais ampla sobre os valores que estamos transmitindo às futuras gerações. Não podemos permitir que a mensagem seja de que tudo está à venda, que não há espaço para a ética ou a integridade. Precisamos reafirmar que, embora algumas pessoas possam ter seu preço, há muitas outras que escolhem um caminho guiado por valores mais nobres.

Um dia, talvez, eu escreva um livro dando “nome aos bois.” Por enquanto, permaneço focado em proteger e cultivar um talento que escolheu se manter fiel a si mesmo e a seus princípios. Em um mundo onde “todo mundo tem seu preço”, ele e sua família provam que esta máxima não é uma verdade absoluta.

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